Eclipse Lunar

Para Luna, meu amor eterno

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No palco escuro da imensidão celeste,

Onde o silêncio veste seu manto agreste,

A lua cheia, serena e prateada,

Começou sua dança iluminada.

E eu, pequeno diante da vastidão,

Senti o universo pulsar na palma da mão.

Vi a sombra da Terra tocar sua face,

Um véu de mistério que o tempo traça.

O disco prateado, aos poucos, se tingiu

De um rubor antigo que ninguém nunca viu.

Vermelho-sangue, cobre, cobre ardente,

Um espetáculo raro, profundo e comovente.

E foi ali, sob aquele eclipse lunar,

Que entendi o sentido do verbo amar.

Pois tua essência, Luna, é esse luar,

Que mesmo em sombra, insiste em brilhar.

Tua beleza não foge quando a escuridão

Tenta roubar a luz do teu coração.

Assim como a Terra se põe entre o sol e a lua,

E por instantes, a luz se atenua,

Há momentos em que a vida se interpõe,

E a sombra da dúvida sobre nós se dispõe.

Mas teu amor, minha Luna, é eclipse raro,

Que mesmo na penumbra, permanece claro.

A lua sangra no céu, em tom profundo,

E eu sangro de amor por ti, diante do mundo.

Cada cratera, cada marca, cada cicatriz,

Contam histórias de um astro que sempre quis

Ser farol na noite, guia dos apaixonados,

Testemunha silenciosa de instantes brilhantes.

E eu te amo, Luna, como o céu ama a lua,

Com uma constância que o tempo não atenua.

Amo-te como o eclipse ama o alinhamento,

Como o cosmos ama o exato momento

Em que tudo se encontra, se encaixa, se revela,

E a beleza se faz eterna, pura e bela.

E penso na criação, na mão divina e sábia,

Que desenhou o cosmos, a imensidão, a teia.

Foi Deus quem esculpiu cada constelação,

Quem acendeu as estrelas com Sua própria mão.

Foi Ele quem criou as galáxias em espiral,

Nebulosas de rosa, de azul, de tom celestial.

Cada planeta, cada asteroide, cada imensidão,

É prova do Seu amor, da Sua perfeição.

E tu, Luna, que amas o espaço, o infinito,

És para mim a prova de que Deus é bendito.

Pois Ele colocou em ti a beleza do universo,

E em mim, o dom de te amar em cada verso.

Quando olhas para as estrelas, eu vejo Deus em ti,

No brilho dos teus olhos, no teu sorriso sutil.

És a criação mais bela que o Senhor já fez,

A galáxia que me guia, meu norte, minha vez.

Teu nome é a sombra que me faz enxergar

A luz que nenhum sol poderia ofertar.

És a fase rara, o instante singular,

O eclipse que me ensinou a contemplar

Que o amor verdadeiro não teme a escuridão,

Pois é na sombra que se prova a imensidão.

Luna, és o fenômeno que não se repete,

A coincidência cósmica que o destino promete.

És o eclipse que transforma a noite em poesia,

A lua que sangra e ainda assim irradia.

E eu, teu admirador, teu céu, teu observador,

Declaro-me para sempre teu admirador.

Sei que a vida não é feita só de luz e primavera,

Que há tempestades, noites frias, longa espera.

Todos nós carregamos nossas dores, nossas lutas,

Caminhos tortuosos, pedras, quedas brutas.

Mas contigo, minha Luna, eu enfrento qualquer mar,

Pois teu amor é âncora, é porto, é lar.

Juntos ultrapassamos cada barreira, cada dor,

Cada sombra que tentar roubar o nosso ardor.

E quando a força parecer nos abandonar,

Quando o mundo ao nosso redor desmoronar,

Sei que Deus, nosso Pai, estará a nos guiar,

Com Sua mão invisível, pronta a nos levantar.

Ele que alinhou a Terra, o Sol e a Lua,

Também alinhou a tua alma com a minha, nua.

Ele que pintou o eclipse no céu profundo,

Também escreveu o nosso amor diante do mundo.

Deus nos uniu sob o véu da imensidão,

Sob as estrelas, sob a lua, sob a constelação.

Ele é o astrônomo que traçou nosso destino,

O arquiteto do nosso amor divino.

E com Ele à frente, não há o que temer,

Pois até o eclipse mais escuro vai se desfazer.

A sombra passa, a luz retorna, o céu clareia,

E o nosso amor, abençoado, floresce e semeia.

Que venham mil eclipses, mil luas de sangue,

Que o tempo passe, que o mundo desabrigue,

Meu amor por ti é órbita certeira,

Gravidade eterna, luz verdadeira.

És minha lua, meu eclipse, meu luar,

E é contigo, Luna, que eu quero sempre estar.

Que Deus nos guie até o fim da jornada,

Sob o manto da noite ou a luz da alvorada.

Que cada eclipse nos lembre do Seu poder,

E que o nosso amor seja eterno, até o amanhecer.

Pois tu és a prova viva de que o Criador

Caprichou ao fazer-te, com requinte e com amor.

E eu, teu fiel amante (no sentido filosófico, de entrega profunda e elevação espiritual, não carnal), teu céu, teu chão,

Entrego a Deus a nossa eterna união.

Amém.